Antes que aconteça qualquer engano, deixo as minhas condolências aos amigos e pessoas que perderam entes queridos para o vírus. Tenho plena noção do impacto da pandemia em muitas vidas e realidades e este texto de forma alguma vem menosprezar isso.

Mesmo que ainda possa contrair o vírus (quem sabe se já não fiz isso) e passar por perrengues que milhões vem passando, considero que já venci o vírus.

Há de se considerar uma grande sorte de já ter uma vida de privilégios anterior à pandemia, por exemplo, uma casa própria, um trabalho que já era totalmente sustentado pelo digital e uma maioria de clientes que pertence a um setor essencial da economia.

Porém, falando do campo pessoal primeiro, foi a pandemia que me elevou a um nível máximo de sedentarismo, reforçado pelo perfil de alguém que não é afeito aos exercícios.

Foram as tonturas lá pelo dia 70 de isolamento, causadas, como me conheço, por stress e falta completa de exercícios que me levaram a fazê-los, com muito alongamento, fiz Yoga e Tai Chi uma vez cada, pra conhecer, mas foi no velho boxe e exercícios na sombra que fiquei. Explosivo, sigo no caminho de 8, 12 até chegar a 20 minutos máximos pela manhã.

A pandemia me fez também enxergar melhor quem está ao meu redor. Notei que às vezes sentimos falta de pessoas que simplesmente sumiram. Deixar livre quem não faz mais parte da nossa vida por afinidade é outra vitória. Sem mágoa, sem culpar.

Da mesma forma, aprender a abraçar e acolher pessoas novas, recontatar antigos parceiros, amigos, colegas, estreitar uma relação permanente de carinho com aqueles que valem a pena e que sabemos que se importam, com afinidades diversas.

Repensar relações, valorizar quem está ao nosso lado. Os parceiros e filhos tem sido um desafio homérico pra muitos. Sabemos que o número de divórcios explodiu. Bem, talvez seja hora de não ser mais hipócrita, que tal? É um caminho. E se tomado, mais um gol de placa.

Financeiramente, esfera que motivou a escrita ao ver a foto que ilustra esse artigo, já estava acostumado à este perfil de contar os centavos. Valorizar cada real feito por mim há meses. Ser autônomo já nos mantinha em um cenário de incertezas há bastante tempo.

Consegui perceber nessa pandemia que meu modelo de negócios é bom, perene, consistente e realmente ajuda as pessoas. Trabalhar de Consultor me envolvendo mais em poucos clientes é uma forma de criar vínculos, participar efetivamente dos desafios, perseguir e colher as vitórias também.

Socialmente, sigo dando exemplo como cidadão. Primeiro, ficando atento e não sendo alienado ao sofrimento alheio. Nunca pratiquei tanta filantropia de forma sistemática. Nunca cuidei de entes ameaçados ao meu redor, nunca cuidei tanto dos meus pais.

A sensação – essa aqui é de vitória plena – é que quanto mais eu dou suporte financeiro ou emocional, mais eu recebo. Muito. Isso me faz muito bem e sobreviverá à pandemia: o meu dinheiro, o que eu posso oferecer, alegria, acolhimento é meu e da minha comunidade, do meu país.

Nunca comprei tanto dos empreendedores ao meu redor. Amigos com negócios novos, incentivo, ajudo com ideias, assim como faço no networking. Entrego conhecimento de verdade, sem esperar recompensa. Se todos estiverem bem, eu estarei bem.

Consigo viabilizar coisas que outras pessoas não. Então vou viabilizar por elas, ser pontes. Exemplo: estamos lutando para realizar um projeto que une as empresas que querem patrocinar iniciativas inclusivas com projetos artísticos. É a arte que nos tira da zona de conforto, que mexe com a gente, que nos faz suportar as dificuldades.

Valorizo ainda mais o conhecimento e a arte. Foi a lógica e o conhecimento que me trouxeram até aqui. Lamento o imenso negacionismo e a confusão de lógica com opinião que se faz hoje em dia. Aviso, tento educar, uma vez. Na segunda vez, não faço mais. Quem sou eu pra mudar as pessoas…

Li muito mais que pensava conseguir. E quanto mais leio, mais quero, parece que o cérebro funciona como um buraco negro.

Fiz curso, me tornei um profissional melhor, com mais pé no chão e com um horizonte à frente bem claro, graças à pandemia.

E pretendo que todo desafio que chegue a mim seja percebido, tratado e, como o vento contrário, que ele seja oportunidade para voar mais alto, com equilíbrio. Desejo isso a todos.