Estou ouvindo alguns comentários.

_ Agora com essa covid vamos separar quem faz de quem só culpa os outros.

_ Precisamos segurar as pontas e fazer o que for preciso pra passar por essa crise o melhor possível.

_ Querem na verdade é [insira aqui a última teoria conspiratória que um grupo determinado colocou em prática para dominar o mundo]!!

As discussões sempre acabam em uma dicotomia, em opostos que se combatem.

Bem, não quero entristecê-los ainda mais, causar qualquer aflição, mas preciso instigar, quase implorar que todos façam essa reflexão, pois constatei uma das poucas dualidades que precisamos tratar:

Temos neste momento aqueles que já entenderam o que vem pela frente e os que ainda lutam aferrados ao que tinham antes.

Pensando em tudo que venho acompanhando de amigos, gestores, comentários em notícias, reconheci os clássicos estágios do luto. Repito: não venho aqui julgar ninguém, cada um faz o que pode, mas reparem como faz sentido.

#1 Negação

Até mesmo nosso chefe do executivo e outro grande grupo insiste que a Covid-19 não deve ser encarada como a Peste Negra. De fato ela não é. A Ciência e a Lógica, ao contrário daquela época, hoje estão em um estágio desprovido de visões supersticiosas. Já nossos sistemas de Saúde pelo mundo, depende, a maioria está penando.

Lutar contra o isolamento já adotado pela imensa maioria é algo irrelevante. Já temos alto número de infectados, já temos nomes nos falecidos, famosos, pais, avós de conhecidos etc; já temos épico impacto na Economia Mundial. Ontem se divulgou que o PIB de 2020 no Brasil superará os 3 anos anteriores de 3,5% negativos em quase 2 pontos, a -5,3%.

Negar e lutar contra isso é perder energia entre as milhares de fake news.

#2 Raiva

Temos membros do governo e muitas pessoas culpando raivosamente os chineses. Outros, o Imperialismo norte-americano. Muitos indignados com resoluções de restrição em suas cidades.

Desfrutamos das nossas escolhas coletivas ao longo de décadas. Sempre, sempre, em todos os últimos reveses culpamos alguém. “A culpa não é minha…” estampou carros por pouco tempo.

Adotar um político e morrer de raiva se alguém contradiz o discurso preferido está nesse estágio. Se tem algo que a Covid-19 nos trouxe é a necessidade do fim de culpar outrem: cada um deve assumir sua responsabilidade.

Notou algo que está errado? Lidere ou participe de uma iniciativa que seja uma solução melhor, respaldada pela Lógica e pela Ciência e lute por ela.

Isso é mirar no bem coletivo. Bom para você e para aquela pessoa que pensa completamente diferente. Coloquem na cabeça: se não for bom pra todo mundo, será ruim coletivamente. E note que disse “bom”, não disse “excelente”.

#3 Barganha

Estou acompanhando centenas de empreendimentos de vários tamanhos que estão tentando soluções paliativas, que os gestores até já sabem que não vão resistir muito tempo.

Muitas e muitas ações sobre paradigmas daquela sociedade – falando de Brasil – daquela realidade dura, de crises seguidas, sustentada em empreendimentos estruturados, algumas empresas multinacionais, bons empregos, ótimos salários.

Nesse momento a maioria está tentando manter o que foi construído de forma dura. Alguns se arrependendo de decisões administrativas ou financeiras, outros fazendo o que tem de ser feito para que a empresa sobreviva.

Barganhar, entretanto, não é jogo de cintura.

#4 Depressão

Já enxergo ao meu redor várias pessoas, pois, claro, quem se deprime não é mais a empresa, o mercado, mas as pessoas que fazem as empresas. Capital Humano, Gestores, Agentes do Governo, muitos estão realmente desesperados em casa ainda tendo que lidar com a nova realidade da parceira e/ou filhos permanentemente ao seu lado.

Vários empreendedores sequer tiveram a opção de tentar barganhar para sobreviver. Já estão em situações caóticas mundo afora.

Estafa, crises de ansiedade, crises de stress. Pra piorar, tudo isso diminui a imunidade.

É duro, mas lembremos, como sociedade, a nossa tolerância coletiva nos trouxe até aqui. Como sociedade, como coletivo, é nossa responsabilidade estar nessa sinuca de bico, ter dependentes e não saber o que fazer.

#5 Aceitação

Enfim a boa notícia! Temos, como disse lá no início, aqueles que aceitam a situação. Que já entenderam. Muitos já perderam seus empreendimentos, repito, nem tiveram a opção de lutar por ele.

Como disse um conhecido: pra quem já estava com a faca no pescoço todos os dias, essa nova crise só é maior porque pegou o mundo todo.

Parafraseando um pedacinho da nossa constituição, independentemente de raça, cor, credo e status social, o SARS-CoV-2 infecta e pode levar à óbito. Levou, pode levar e ainda levará.

Temos pesquisas que indicam que os números do Brasil estão 11 vezes menores por conta da sub-notificação: ontem, 14/4, seriam 264.000 infectados e mais de 15.000 fatalidades. Estaríamos entre os 6 primeiros do mundo, como nossa economia já esteve há alguns anos atrás.

Pois bem, cidadão, feche o ciclo agora.

Entenda que o seu ciclo profissional acaba de ser concluído. O seu modo de vida, o que você construiu até aqui, pronto, fechou.

O empreendimento que você participava ou geria fechou um ciclo agora. Acabou de acontecer.

O que você vivia antes, era isso, o passado. Antes do presente. O que você vive, a partir de agora, Presente, é novo. É diferente. E, definitivamente, não retornará ao que era antes.

Aliás, penso que não devemos querer isso. Eu já não tolerava muita coisa do nosso passado pré-covid19. Renovamos a sigla AC/DC, curiosamente os dois tinham coroas, foram perseguidos e no fim da história vão acabar sendo mortos.

E o mundo não será o mesmo depois deles. Quer vocês acreditem nisso ou não.

Encerrem os ciclos de vocês, renovem votos, olhem para novos horizontes.

Que venha uma nova realidade em que valorizamos o nosso Capital Humano, em que nossos empreendimentos lideram e impactam positivamente, de verdade, o bem particular de cada um dentro dele e o bem coletivo que esteja inserido.

Que venha um novo mundo em que, defronte uma crise, não passemos pelos estágios do luto pelo que ainda nem perdemos, mas que a aceitação de responsabilidade imediata permita que a inteligência de Gestão possa reunir o Capital Humano que saberá construir um novo paradigma.

Negar, ficar com raiva, barganhar e se deprimir… Pare de gastar energia com isso, simplesmente não vai adiantar.

Repito: há algo errado? Lidere, pense, faça suas conexões, construa e mostre o que seria o certo.

Agora.