O deputado teria uma carreira brilhante pela frente. Neto de coronel, sempre esteve entre importantes do seu estado. Sempre esteve em um cargo importante, preparado pelo avô e pelo pai, era o orgulho da família.

“Esse menino ainda vai ser presidente!” Dizia o avô, bonachão.

Bem, quase sempre que não estava enfiando o pé na jaca, quando acaba ligando pro melhor amigo médico para socorrê-lo em mais um episódio de sudorese aguda, batimentos cardíacos em ritmo de rave que não diminuíam MESMO.

O ápice de sua carreira, disputa acirradíssima com a outra, meio a meio e estavam que não era pra ninguém, tensão a mil. Resolveu sair do reduto de luxo do partido para a casa de sua irmã. Lá chegando, esgueirou-se para a área de piscina, sabia que ninguém estava lá. Tirou o tijolo do lugar, achou os materiais, enrolou, dichavou, lambeu e acendeu.

Foi guardar o resto e notou um brilho no fundo da lacuna do tijolo. Esfregou com o dedo e era cristalino mesmo. Que surpresa, uma garrafa!

“Isso deve ser zueira do vô! Só pode! Já vi dessas na mão do pai do Cruzado, tenho certeza!”

Limpou e ficou espantado com o cristal da marvada dentro no brilho da lua cheia. Ou era luzinha do belo bagulho paraguaio.

Resolveu ao menos cheirar a pinguinha e puxou o sabugo.

A vibração. O susto costumaz. Voou a garrafa e a brenfa cada um pra um lado e como sempre, o majestoso semi-deus de ébano surge, pegando o beise no ar. Traga. Enquanto o amigo se borrou de susto ou de brincadeiras com pó mais cedo, não se sabe ao certo.

_ Patrão!

_ Que porra é essa??

_ Calma, patrão.

_ Que porra é essa na casa de minha irmã? Como é possível?

_ Calma que não é nóia. Toma. Relaxa. Eu sou o Gênio Cabrunco, mistura de Saci com Zumbi, Lázaro Ramos com Tony Tornado. Já desci Bahia, subi Floresta, fiz camelô virar apresentador, filho de lavrador deputado, time derrotado ganhar título com pé e piloto morrer no auge. Me faz um pedido que te concedo. Mas só um. O que você quiser eu realizo, ma não faz pedido ruim. Porque vai se realizar.

O patrão sabia que era abençoado. De todos foi o humano que aceitou mais rápido a ideia de ter sido agraciado com um desejo que podia ser qualquer coisa. E ia fazer bonito. Ia valorizar a viagem daquele mix de bagulho que ficou acima da média.

_ Então tá. Respirou ruim só com 1 narina funcionando. Se lembrou de alguns dias antes, quando foi aplaudido pela galera do posto 9 no auditório. E foi na lata.

_ Quero saber como é ser o responsável por limpar toda essa merda que tá rolando e ser lembrado todos os dias pelo que eu fiz.

Sem perguntar, o velho tapinha no ombro e o patrão se vê numa sala muito chic. Madeiras de lei. Temática de Natal pra todo lado, neve, deu risada, curtiu.

Está bem vestido, agasalhado. Estranhou. Olhou no espelho. Entendeu picas. Sacou que não é 2014.

Entra um senhor muito polido com um papel.

_ Aqui está Mr. Wheeler, a patente do seu rolo de papel de toillet, aprovada. Quero amostras quando ficarem prontas, seu maluco!

Patenteado 22 de Dezembro de 1891.

Até o dia 23, por quase 24hs ele foi zoado e ouviu de todo mundo que ninguém ia gastar tanto dinheiro pra limpar um buraquinho fedido.

E nunca mais deixou de se pegar refletindo quantos rolos deve ter gastado em toda sua vida.